 Balão alvi-anil no Paranoá
A Regata promovida pela Marinha em comemoração ao 96º aniversário da frota de submarinos brasileira partiria da base de Mocanguê, quase abaixo ao lado dos pilares da Ponte Rio-Niterói.
Por isso, e pela previsão de ventos fracos até meio-dia, a tripulação do Picareta, Armando Faria, Oscar Castro, Louise Guimarães e Luiz Octavio Bernardes decidiram sair do clube cedo.
Era uma tripulação inédita e o Luiz foi para a proa, onde não estava muito ambientado. Um pouco antes de botarmos o barco na água, observamos a rondada do vento para sul/sueste e o aumento de sua velocidade. No percurso treinamos manobras para afinar a tripulação. O novo proeiro foi o mais exigido.
Chegando em Mocanguê, constatamos a presença de poucos Velamar 22, apenas 3 - Let it Be, Ravena e nós. Logo chegaram Baruk e Rocas. Eramos 5, e sentimos a falta de alguns amigos costumeiros na raia.
O nosso Grupo era o 6, e o último. O percurso consistia em montar as bóias do parcel das Feiticeiras a bóia amarela norte da DHN e retornar a Mocanguê. Um percurso curto. Mas com um detalhe. Um petroleiro fundeado bem na rota. Com vento de sueste, seria feito todo em través exceto a meia milha final, entre a DHN e Mocanguê. Mas e o petroleiro ? Passar pela sua popa ou pelo sua proa ?
O Picareta conseguiu uma boa largada, junto a CR, com 5 segundos de atraso, mas na frente dos guerreiros Ravena e Baruk. Estes dois maracavam-se e deixavam-nos um pouco à vontade à frente. Em um determinado momento, o Ravena arribou, abandonando a navegacão junto ao Baruk, e começou a render bem.
Foi quando aconteceu uma dessas coisas inexplicáveis nos nossos mares. Um pesqueiro muito lento, rebocando uma outra coisa que supostamente navega com tripulantes, cruzou exatamente a linha de proa do Picareta. Tivemos que orçar muito rápido para evitar o choque e observar incrédulos que ninguém no pesqueiro parecia entender porque estávamos gritando tanto e nem sempre palavras de afeto, por assim dizer.
O Ravena, que já vinha rendendo bem, encostou na popa e o Baruk seguia, também próximo.
Ao chegar na primeira bóia do parcel, uma grata surpresa, o Rocas, que optou por ir bem a sota, totalmente descolado do grupo Picareta-Ravena-Baruk, apareceu em primeiro.
Tão logo montou a segunda bóia cambou em direção à última, os outros três optaram por seguir mais adiante, cambar em um ângulo em relação a segunda bóia que permitisse melhor aproveitamento da maré enchente e andar mais arribado. Nessa curta perna entre as duas bóias, se desenhou o desfecho da regata. O Rocas não rendeu bem. O Picareta e o Baruk cambaram e mantiveram um ritmo constante até à última bóia do parcel e o Ravena ficou num buraco de vento, tendo que recuperar na perna de retorno até a DHN.
Fizemos uma navegação tranquila, passando pela popa do petroleiro e sem muito esforço para orçar para a DHN em relação aos barcos de outras classes que navegavam a sota e brigavam com a maré enchente.
Antecipamos a montagem do balão e tão logo contornamos a bóia da DHN, o balão alvi-anil do Picareta subiu. Nesta meia milha, o Baruk tentou de tudo para uma aproximação junto ao Picareta enquanto o Ravena e o Rocas brigavam pela terceira posição, logo atrás. Não conseguiram, mas chegamos os quatro bem próximos, mostrando que a classe está competitiva e que um pesqueiro maluco, um buraco de vento ou uma subida de balão demorada, podem mudar sua posição na regata.
Na premiacão fomos prestigiados pelo Contra-Almirante Celso Luiz Nazareth, responsável pela Força de Submarinos.
Em resumo, uma regata curta, com bom percurso, alguns sustos e obstáculos, e muito equilíbrio entre os quatro primeiros, onde quem errou menos ou sofreu menos com imponderáveis, levou vantagem.
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